As tardes estão cheias de pássaros, mas a de hoje está despida deles.
Nem um pássaro sequer.
Um tempo sem pássaros é de uma tristeza redonda.
Como se não houvesse Deus, nem livros, nem rosas.
Como se o vento os houvesse empurrado todos para um lugar clandestino de onde não pudessem já voltar.
Mas como podem eles ser felizes assim, juntos, empurrados, densos, conformados, sem céu, e sem sílabas que os soletrem?
Nesta ausência de pássaros, penso que, noutro lado, num sítio qualquer que não sei, eles estarão a resolver questões que não são daqui e nem me dizem respeito.
Pode ser. E pode ser, até, que já não voltem. Porque não querem. Ou porque não encontram o caminho de regresso.
Porém. nunca mais as tardes serão as mesmas: pedaços inúteis de tempo onde o silêncio faz ninho.
Sem comentários:
Enviar um comentário